Às vezes, até com que bastante frequência, eu paro pra pensar quem eu sou realmente. Eu imagino duas partes diferentes de mim. Uma, é um amontoado de defeitos, e outra, um pouco menor, de qualidades.
Em relação ao primeiro amontoado: Sou estudante de Jornalismo e não, repito, NÃO estou antenada no que diz respeito ao que está acontecendo ao mundo a minha volta (o que é uma vergonha para o mundo do Jornalismo), sei pouco sobre conhecimentos gerais, não sei fazer qualquer tipo de conta matemática, sou baixa demais, às vezes deixo minhas pernas peludas, não tenho o cabelo liso, não tenho a pele e corpo perfeitos, sou preguiçosa, me irrito fácil com qualquer coisa e com qualquer pessoa, choro por tudo, solto palavrões, falo o que penso e quase ao mesmo tempo, omito muito do que penso. SIM, eu me preocupo com o que pensam sobre mim, e isso me incomoda muito; acho que sempre estou fazendo tudo errado, tenho mania de perseguição, tenho ciúmes e medos demasiadamente bobos, sou um tanto quanto infantil e também anti-social, repito que sou preguiçosa, SOU com sono, SOU cansada, odeio tudo o que se torna obrigação na minha vida, até mesmo as coisas que dei início por afeto, amor, simpatia... desisto fácil de certas coisas,sou afobadíssima e também muito estressada, não tenho iniciativa pra nada e pra ajudar sou tímida. Entre muitas outras características que só aumentariam cada vez mais a minha coleção de defeitos...
Em relação ao segundo amontoado: Em comparação com algumas pessoas não sou de todo burra, sou decidida, sei o que quero, a hora que quero e porque quero. Sou sincera, sou amiga, tenho o hábito de ler e ver filmes frequentemente, quando o assunto tem um pé literário, eu estou por dentro, sou observadora, sou simpática, gosto e trato bem quem faz o mesmo por mim, sou boazinha demais (característica que pode também se encaixar na primeira "coluna"), gosto de coisas simples, dinheiro pra mim não é tudo, gosto de sorrisos, de detalhes, de felicidade expressa no olhar. Entre algumas coisas que eu não lembro e que, convenhamos, hoje em dia não valem a pena ser lembradas mesmo.
É difícil, mas as pessoas devem aceitar a si próprio, ou pelo menos devem tentar se respeitar ou em último caso, acostumar-se consigo mesmo... Por mais que você seja o mais inteligente, o mais bonito, simpático, tire as melhores notas, faça as melhores coisas, ou seja, que o seu "amontoado" de qualidades seja relativamente maior que o dos defeitos, tudo o que as pessoas a sua volta irão olhar e principalmente cobrar de você, toda a hora, todos os dias, é o seu monte de defeitos. Ao passo que elas querem que você seja uma pessoa perfeita, elas ressaltam os seus maiores defeitos, e os que mais te machucam.
"E se me achar esquisita respeite também,
Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
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